Quando o CEP define quem corre mais risco: como renda e raça revelam o racismo ambiental
O endereço de uma pessoa pode determinar quantas vezes ela perde tudo. Em Guarulhos, na Grande São Paulo, o comunicador popular e ativista ambiental Mateus Fernandes, hoje com 25 anos, viveu três enchentes na mesma casa. A primeira quando era criança. As outras duas quando recebia um salário inferior a R$ 1 mil. Essa é a face prática do racismo ambiental: renda e raça ampliam a vulnerabilidade.
O que é racismo ambiental e como o CEP influencia o risco
Racismo ambiental é o termo usado para descrever como populações de baixa renda e, em grande parte, negras, são desproporcionalmente afetadas por desastres ambientais. O CEP, nesse contexto, funciona como um marcador de risco. Bairros periféricos, como o Parque Santos Dumont, em Guarulhos, tendem a ter infraestrutura mais precária e maior exposição a alagamentos.
A história de Mateus Fernandes: três enchentes em três fases da vida
Mateus Fernandes morava com a mãe no bairro Parque Santos Dumont, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A primeira enchente aconteceu quando ele tinha 10 anos. "A primeira enchente aconteceu quando eu ainda era muito novo. Não me lembro de todos os detalhes, mas até hoje guardo na memória o cheiro específico da água parada e a sensação de desespero de perder tudo", relembra.
As outras duas enchentes ocorreram quando ele já era Jovem Aprendiz, com salário inferior a R$ 1 mil. A renda baixa não só dificultava a recuperação, como também interrompia a rotina. "Durante muitos anos, a enchente interrompeu minha jornada de trabalho, de estudo e até mesmo de lazer. Sempre era um desespero sair de casa nesses períodos, porque nunca sabíamos se conseguiríamos voltar", conta.
Renda baixa e a dificuldade de se recuperar de um desastre
Quem recebe menos de R$ 1 mil por mês não tem reserva financeira para reformar uma casa alagada. O caso de Mateus mostra como a renda define a velocidade da recuperação. Enquanto famílias com maior poder aquisitivo conseguem se mudar ou contratar serviços, quem vive com salário mínimo depende de ajuda externa ou simplesmente recomeça do zero.
Raça e território: a interseção que aprofunda a desigualdade
O racismo ambiental não é apenas sobre renda. É sobre raça e território. Bairros periféricos, historicamente ocupados por população negra e pobre, são os mesmos que sofrem com falta de drenagem, moradias precárias e ausência de políticas públicas de prevenção. O CEP vira um atestado de risco.
O que muda na prática para quem vive em áreas de risco
Para quem mora em áreas como o Parque Santos Dumont, a rotina é de alerta constante. As enchentes interrompem trabalho, estudo e lazer. A imprevisibilidade é o maior custo: nunca se sabe se será possível voltar para casa. Esse cenário exige planejamento, mas a baixa renda limita as opções.
Como identificar se sua região é vulnerável a enchentes
Moradores de áreas periféricas podem observar sinais como histórico de alagamentos, proximidade de córregos e ausência de sistemas de drenagem. No caso de Mateus, a repetição das enchentes na mesma casa mostra que o problema não é pontual, mas estrutural.
O papel do poder público e a responsabilidade compartilhada
A responsabilidade por reduzir a vulnerabilidade não é do morador. Cabe às autoridades locais investir em infraestrutura de drenagem, habitação e prevenção. Enquanto isso não acontece, famílias como a de Mateus seguem reféns do clima e do CEP.
Perguntas Frequentes
O que é racismo ambiental?
É o fenômeno em que populações de baixa renda e negras são mais afetadas por desastres ambientais, como enchentes, devido à localização de suas moradias e à falta de infraestrutura.
Como o CEP influencia o risco de enchentes?
O CEP indica a região e, muitas vezes, a condição socioeconômica. Bairros periféricos tendem a ter pior infraestrutura e maior exposição a alagamentos.
Quem é Mateus Fernandes?
É um comunicador popular e ativista ambiental de 25 anos, morador de Guarulhos, que teve a casa alagada três vezes, a primeira na infância.
O que fazer para se proteger de enchentes?
Moradores de áreas de risco devem acompanhar alertas da Defesa Civil, evitar transitar em áreas alagadas e cobrar do poder público investimentos em prevenção.
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